sábado, 4 de outubro de 2008

sobre o seu desconhecimento da minha razão;


Já não pertencia a esse mundo. Se sentia triste muitas vezes , pensando no abandono de uma época que lhe fez tão bem. Sem contar nas vezes que tentou recuperá-la, quando as tentativas eram tão momentâneas como o som de um oi. Demorou um tempo para perceber que não era o mundo que conhecia que mudou, foi ela mesma. Mais uma vez, ela mudou e só percebeu as consequências o mais tardar possível. E ela pensava 'Mas como é ruim essa transição toda que eu tenho que passar'. Ela sempre soube que nos momentos mais difíceis para ela , eram os momentos em que mais conseguia refletir e extrair alguma lição para si dessas reflexões. Como um flash, uma teoria surgiu do nada , em seu quarto escuro: como das duas outras vezes que percebeu essa mudança ela estava superestimando essa angústia de mudar , esse sentimento de culpa por não ter corrido atrás. Não é preciso levar em conta os pensamentos ruins quando alguma coisa na nossa vida muda; a gente leva porque não tem maturidade o bastante para perceber que não vale a pena. E não vale, não vale.. Tentou dormir, se sentindo um pouco mais leve . Adormeceu.. um sono profundo que trouxe sonhos em preto e branco. Nenhum teve muito nexo mas tinham uma coisa em comum: uma trilha de terra toda danificada que chegava à uma única coisa colorida: uma luz verde , que não chegou a cegar, mas que não era possível se ver além dela. Acordou procurando o além-da-luz-verde , mas achou apenas seu caderno de desenho, onde na verdade escrevia. Meu Deus, quanto tempo quenão via aquilo.. Escreveu nesse caderno quando tinha 13 anos e sua primeira transição revoltada de adolescente aconteceu, ao 'perder' muitos amigos e teve que começar tudo de novo. Enquanto lia percebia que nada mudou , ainda era aquela garota traumatizada pelo pseudo-abandono dos amigos que não conseguia seguir em frente, queria o passado pra sempre , não queria pensar na possibilidade de que na vida, tudo é passageiro e poucas coisas duram para sempre realmente. Como Badauí cantou uma vez 'São coisas que somente o tempo irá curar..e se for, tudo vai passar.'
Dessa vez ia ser diferente. Não ia ficar remoendo o passado e fugir do futuro. Não ia seguir tamanho clichê. Se levantou da cama e jogou aquele caderno de desenhos no armário em um lugar qualquer. Colocou sua roupa preferida que, olha que triste, não usava a algum tempo. Nem quis tomar café e saiu de casa, sentindo o mundo do presente , que era ignorado e engolido pelo passado; e seguiu , pelo seu trilho danificado para a luz verde que era o seu futuro; e que agora dava para ver mais além e sem fantasmas passados.

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